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Arquivo: Edição de 04-01-2008
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SECÇÃO: Reportagem |
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Entre Ambos-os-Rios pretende ser Centro Intermédio
A freguesia, de antiga história, vinha já referenciada no Censual organizado pelo Bispo de Braga, D. Pedro, no século XI: denominava-se De Sancto Micachele Inter Ambos Ribulos (S. Miguel de Entre Ambos-os-Rios) e pagava 1 moio de milho de tributo à Sé de Braga. Ao longo da Idade Média vem, com alguma frequência, referenciada em documentos de época. ***
É com o primeiro que iniciaremos a nossa conversa. *** Inocêncio Araújo vai no segundo mandato à frente dos destinos de Entre Ambos-os-Rios. “Quando cheguei à Junta, um dos principais problemas a resolver colocava-se ao nível das acessibilidades: de modo particular, a população reivindicava há anos a melhoria da via que atravessa a freguesia, passando pelos lugares de Igreja e Froufe até Lourido. Era uma obra de dimensão considerável, mas conseguimos que o traçado fosse rectificado, alargado e pavimentado. A obra ficou concluída em 2004”.
“Houve, também, um claro incremento do movimento associativo, de que são exemplo a reactivação do Rancho Folclórico e a criação do Grupo de Bombos. Avançámos para algumas pequenas correcções em caminhos, como o acesso ao interior de Lourido. A criação de Brigada de Sapadores Florestais foi importante a diversos níveis: para além de limpeza de vias e da protecção da floresta, permitiu o aparecimento de alguns postos de trabalho. Desenvolveu-se, nesta área, um trabalho significativo: a título de exemplo, a limpeza do pinhal, em Tamente, aconteceu no âmbito de um projecto no montante de 45 mil euros. Por outro lado, procedemos, no primeiro mandato, ao alargamento do cemitério que está, agora, a ser alvo de um arranjo interior”. *** Permanecem, é claro, necessidades. E, umas vezes a elas associados, outras ao que a freguesia pretende ser, há projectos, ideias.
Entre Janeiro e Fevereiro, vai iniciar-se o arranjo do largo junto à Igreja: o adro será melhorado e no espaço surgirá uma praça com bancos e zona de estacionamento. Em fase de projecto, estão o acesso ao interior dos lugares de Froufe e Igreja que necessitam de ser melhorados. “No que respeita às habitações, temos procurado incentivar a reconstrução, até numa perspectiva de manutenção da nossa identidade. Tem acontecido por iniciativa de pessoas da freguesia e por pessoas da cidade, nomeadamente do Porto, que aqui têm reconstruído casa para segunda habitação. Ainda nessa área, foi aprovada uma candidatura, para recuperação de espaços públicos, em Sobredo, no âmbito da medida AGRIS. Feita em parceira com a Adril, implica dois diferentes aspectos; intervenção no que é público (largos, fontanários...) e no que é privado (fachadas e coberturas).
*** Uma das apostas mais fortes da freguesia consiste em assumir-se como centro intermédio entre a vila e freguesias como Lindoso, Britelo ou Ermida. “É nessa ideia que radicam uma série de intervenções que pretendemos levar a cabo. A conclusão do arranjo exterior do edifício da Junta, com parque de merendas, área de lazer e edifício de apoio ao espaço (contemplará uma garagem, um quiosque multimédia e uma caixa multibanco), irá criar uma espécie de Centro Cívico que aglutinará as actividades da freguesia; se acrescentarmos a construção do Centro Escolar e o Centro de Dia ficaremos com um conjunto de serviços que nos permitirá ser um centro intermédio entre a sede do município e um conjunto de freguesias”.
O foral da Terra da Nóbrega, outorgado por D. Manuel a 14 de Outubro de 1513, é outro dos documentos históricos com referências a Entre Ambos os Rios. Os moradores do lugar de Tamente deviam pagar ao Rei oito varas de bragal (1 vara era igual a 1,10 m), cada fogo desse lugar pagava, ainda, uma galinha. Os restantes lugares estavam isentos. ***
“A Porta do Parque justificar-se-ia, até porque, fisicamente, esta é uma das entradas. É preciso, no entanto, entender o motivo pelo qual o projecto que existia nunca se concretizou: era muito ambicioso, de grande dimensão. O custo total orçava em 3 milhões e 700 mil euros e o financiamento do Parque não ultrapassava os 600 mil euros, daí a dificuldade em concretizar a ideia. O motivo por que nunca foi executado é óbvio: a falta de financiamento. Entendo, por outro lado, que com as novas estruturas que, já referi, iremos criar, poderemos manter um serviço próprio de Porta do Parque – guias, informação turística, etc. - ainda que formalmente o não sejamos. O que é importante é prestar serviços a quem nos visite. Estes serviços podem, ainda, ser completado com o Parque de Campismo”, assevera o presidente da junta.
Com o Parque de Campismo tinha precisamente a ver a questão que pretendíamos colocar de seguida. Entendemos que é uma estrutura subaproveitada, pouco divulgada, que podia prestar outros serviços – nomeadamente na captação de visitantes – à freguesia e ao município. Inocêncio Araújo partilha a opinião. “É claro que não está devidamente aproveitado, é claro que falta divulgação. A sua gestão é da responsabilidade do Parque, delegada na ADERE. A Junta cedeu o terreno por 20 anos, tendo o Parque a responsabilidade de infra-estruturar. Desde que sou presidente, o parque de campismo nunca representou para a junta um rendimento anual superior a 500/600 Euros. É um valor irrisório. Como aspecto positivo, emprega 5 pessoas da freguesia”.
*** Outra estrutura que não está devidamente potenciada é o Núcleo Museológico, fechado ao público há cerca de quatro anos. “Desconheço a quem pertence a propriedade”, diz-nos Inocêncio Araújo. “ O parque diz que a casa lhe foi entregue e a junta não tem registo de propriedade. É evidente que a estrutura deveria estar aberta. Aliás, o espólio foi cedido pela população para esse fim. Ali estão trajes, instrumentos, utensílios agrícolas. A freguesia não ofereceu estes objectos, cedeu-os para exposição e isso não está a acontecer. Nos frequentes contactos que tenho mantido com o director do parque, não me têm sido alimentadas grandes esperanças de resolução da situação. Provavelmente, será mais viável a hipótese de integrar este espólio num futuro museu municipal – com identificação da freguesia de origem – e converter o actual espaço, conjuntamente com a Casa da Pena do Eido, em alojamento para turismo”.
Seguimos, depois, para uma ronda pela freguesia para as habituais fotografias. Vamos ao Parque de campismo, ao cemitério, ao Núcleo Museológico. Nem de propósito. Quando chegamos, verificamos que o espaço foi vandalizado, provavelmente na noite anterior: porta arrombada, alguns objectos – felizmente não os mais valiosos – roubados. Inocêncio Araújo não esconde a tristeza: “È necessário que haja uma solução urgente. Não podemos sujeitar-nos a que situações como esta aconteçam”.
Regressados à sede da Junta, é tempo de falarmos de emprego e da importância para a freguesia do parque empresarial de S. João/Salvador. “Enquanto criador de emprego, o parque empresarial é estrategicamente importante. É necessário, no entanto, que haja cuidado com o tipo de indústria a instalar, que não seja poluente. Por outro lado, temos conseguido criar algum emprego na freguesia: o Centro de Dia emprega 16 pessoas, a brigada florestal 5 e o Parque de Campismo, embora de forma sazonal, outras 5. A construção do centro escolar contribuirá, estou certo, para novos empregos. Sem negligenciar a indústria, entendo que o caminho, no que à freguesia diz respeito, passará mais por serviços na área social e na educação”. *** O Centro Social da freguesia tem a funcionar duas valências de apoio aos mais idosos: o apoio domiciliário e o Centro de Dia, abrangendo 55 utentes.
“É nossa pretensão avançar para a construção de um Lar. Apresentamos, já, duas candidaturas para um projecto com 30 camas. Na 1.ª fase, não fomos contemplados, aguardamos decisão quanto à 2.ª. Seria uma estrutura que serviria não apenas entre Ambos-os-Rios, mas, de igual modo, as freguesias limítrofes”. O Centro Escolar a instalar na freguesia – está a ser elaborado processo de concurso público, prevendo-se o arranque das obras para meados do ano – será, no dizer de Inocêncio Araújo, uma estrutura de grande qualidade. “Contemplará, para além das 8 salas de aulas, área de lazer, espaço de novas tecnologias, pavilhão desportivo. Estará apto a receber 200 crianças. O pavilhão desportivo, que não estará apenas ao serviço da comunidade escolar, reforçará, em conjunto com os restantes equipamentos já construídos ou a construir, o nosso papel de centro intermédio”. Quanto ao encerramento de escolas, o Presidente da Junta considera-o irreversível. “Tínhamos três escolas e fecharam duas. Sobredo e Lourido, as que fecharam, não ultrapassavam os três alunos. Havia más condições pedagógicas e físicas. Acredito que os centros escolares contribuirão para que exista uma maior qualidade na formação ministrada”.
Pedro António Graçoeiro Afonso é o Presidente da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Entre Ambos-os-Rios. Acompanham-no, na direcção, Manuel Cruzes da Rocha, Rosa Afonso Reitor, Sérgio Fernandes, João Pedro Graçoeiro e Tiago Araújo. “A Associação existe desde 1990 e esta direcção vai no segundo ano de mandato”, diz-nos. “Ao contrário do que acontece em algumas freguesias, aqui há apenas uma associação com diversas secções, sendo cada uma delas dirigida por grupos de 3 pessoas que organizam as respectivas actividades”. Estão nessa situação o Rancho Folclórico e Etnográfico (50 elementos, maioritariamente jovens), em que existe um forte envolvimento da freguesia, o grupo de bombos (20 elementos), as equipas de Futsal que competem nos campeonatos distritais de juniores e seniores e o Moto Clube “Lobos Vadios”.
por: António Araújo e Arnaldo de Sousa
Orago: S.Miguel População: 538 habitantes Área: 1478 ha Festas e Romarias: S.Miguel (29 de Setembro); Sra. de Fátima (1º domingo após 13 de Maio e Santo Amaro (15 de Janeiro) Património cultural e edificado: Igreja Matriz, Cruzeiro e ponte romana sobre o Tamente Outros locais de interesse turístico: Núcleo museológico e Parque de Campismo Colectividades: Associação Cultural ,Recreativa e Desportiva de Entre Ambos-os-Rios. Famílias clássicas residentes: 202 Alojamentos familiares: 376 Edifícios: 378 |