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Edição de 15-05-2009

Arquivo: Edição de 15-02-2008

SECÇÃO: Reportagem

Vade (S. Tomé): tão próximo da vila, tão perto da desertificação

Joaquim Lopes falando ao nosso jornal
Joaquim Lopes falando ao nosso jornal
Vade (S. Tomé) é como um retrato vivo dos males de que padecem tantas freguesias portuguesas: perda e envelhecimento da população, reduzidas dimensões, falta de oportunidades.

Desta amálgama resulta, como consequência perversa, a dificuldade em mobilizar as pessoas, em lançar inciativas.

Mas a freguesia tem, também, os seus atractivos. Que, espera-se, possam atrair visitantes, dar-lhe movimento, de alguma forma alimentar-lhe a esperança de dias melhores.

Igreja Paroquial
Igreja Paroquial

Para alguns estudiosos, o topónimo Vade (Vaadi) será uma completa do verbo árabe “bada” que significa principiar, começar.

Para outros, numa intervenção que nos parece mais legítima, até pela antiguidade da freguesia, o termo tem origem germânica.

Certo é que a freguesia só passaria a chamar-se S. Tomé do Vade a partir do século XIII: o Censual do Bispo D. Pedro (1085 / 1089) refere-se-lhe, ainda, como “De Santa Marina de Paredes” - Santa Marinha de Paredes.

No foral da Terra da Nóbrega, atribuido por D. Manuel a 14 de Outrubro de 1513, a freguesia pagava de contribuições 86 alqueires de pão meado, 7 alqueires de trigo, 4 varas de bragal, 14 alqueires de castanhas secas, 29 almudes de vinho, 4 alqueires de cevada, 3 galinhas, 1 frango e 20 ovos.

Cruzeiro
Cruzeiro
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É um dia de Inverno, mas parece de Primavera. O sol vai já quente, a manhã brilha em pequenos restos de orvalho nos campos que ladeiam a estrada nacional que nos leva à Sede da Junta.

Joaquim da Silva Lopes, de 45 anos, agora presidente, era, no executivo anterior, secretário da Junta de Freguesia.

“Esse executivo encetou um trabalho digno de registo no que respeita a alguns melhoramentos”, diz-nos. “Posso citar, por exemplo, o alargamento e pavimentação do caminho do côto, que tinha, anteriormente, um acesso muito precário, bem como o alargamento do caminho que vai do Cruzeiro à Igreja”.

A freguesia foi das primeiras do concelho a ter o saneamento concluído – abrange cerca de 90% da população.

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Chegado à presidência da Junta em 2005, Joaquim da Silva Lopes quis dar continuidade ao trabalho desenvolvido.

Caminho de Paredes
Caminho de Paredes
“Há sempre situações para resolver. O caminho que, do Cruzeiro, dá acesso à Igreja, tem partes que ainda estão em terra, em virtude do alargamento. Gostávamos que ficasse todo em cubo, para melhorar a circulação. Preocupa-me muito a precariedade do acesso entre o lugar de Eiró e Cancelas. Vivem, aí, três pessoas de idade, que é preciso respeitar; caso seja necessário, é complicado fazer lá chegar uma ambulância. Tambêm o caminho que liga à Oficina está há largos anos por resolver, devido à birra de um habitante que entende que o espaço necessário ao alargamento é sua propriedade. Terá de prová-lo, evidentemente, até porque existe toda a vontade da Junta em avançar e só a atitude dessa pessoa o tem impedido. O caminho que vai de Eiró a Chelos tem, também, um mau acesso que gostávamos de melhorar. De igual forma, o acesso ao lugar de Frades só não foi alargado e pavimentado, em virtude dos problemas que o proprietário tem criado”.

Passal
Passal
Polémica tem suscitado o acesso ao lugar de Paredes. “Só não foi alargado e pavimentado em virtude dos problemas levantados por um proprietário que continua a insistir que o caminho tem muros romanos. Jamais as características dos mesmos apontam para indícios que permitam classificá-los dessa forma: as juntas estão em cimento, as pedras não são trabalhadas – os argumentos utilizados para impedir as obras não fazem sentido”.

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Da obra realizada no que já leva de mandato, Joaquim da Silva Lopes destaca o ramal eléctrico no lugar de Vila Meã (“Era, há longos anos, um anseio dos habitantes”.), e a vedação, em rede, dos muros do caminho do Côto, que representavam, dada a sua altitude, um perigo.

“Para além disso, tenho a preocupação de estar permanentemente disponível para a população – a Junta está aberta, ao domingo, depois da missa, mas estou contactável a qualquer hora”.

Caminho do Cruzeiro à Igreja
Caminho do Cruzeiro à Igreja
O abastecimento de água pública ao domicílio não é um problema: abrange mais de 90% das habitações.

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Problema a preocupar vivamente Joaquim Lopes é o envelhecimento da população.

“A população envelhece, a freguesia desertifica-se, há poucos jovens, a maior parte dos naturais não vive cá, claro que não é um problema só nosso, é geral, mas é uma situação que condicciona a nossa actividade. Há muitos emigrados, principalmente em França, só no Verão isto anima um pouco”.

A escola – onde restavam cinco alunos – fechou há anos.

Criado em 2005, o Grupo Cultural, Social, Recreativo e Desportivo tem, até agora, desenvolvido pouca actividade.

“São problemas típicos das freguesias com pouca populaçãp”, diz, com tristeza, o Presidente da Junta.

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Saímos da sede.

Vamos, a pé, à Igreja Paroquial. Fotografamos, de passagem, o Cruzeiro.

Percorremos depois, longamente, a freguesia. Visitamos a obra que foi feita, os caminhos onde subsistem problemas.

Passamos pela Casa da Torre da Pousada, propriedade do Conselheiro Sebastião da Costa Pereira, que entrevistámos, não há muito tempo, a propósito da sua napoleónica.

“A ideia de construir uma fundação seria óptima”, refere Joaquim Lopes com entusiasmo. “Poderia atrair visitantes, estudiosos, colocar-nos no mapa, poderia constituir um forte motivo de interesse no que respeita ao turismo cultural”.

Para o final estava reservada a maior supresa. O Jardim Japonês, propriedade do magistrado João Pestana, é uma autêntica maravilha.

Um misto de bom gosto, criatividade, perseverança, dedicação.

Tanto nos fascinou que ficou já marcada, para o nosso próximo número, uma reportagem.

Porque é, também, nossa missão dar notícia da beleza. Lá voltaremos.

Porque, para além das paisagens, das casas senhoriais há bons motivos para ir a S. Tomé.

Tal como o Apóstolo, foi preciso ver para crer.

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Comentários dos nossos leitores
rodrigorodri_gostoso@gmail.com
Gostei: Muito Concordo: Plenamente
Comentário:
Gostei deste texto apesar de nao gostar de ler muito.
 
Ricardoratoroyal@gmail.com
Gostei: Muito Concordo: Plenamente
Comentário:
é pena ter os caminhos que temos
 

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