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Arquivo: Edição de 15-02-2008
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SECÇÃO: Reportagem |
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Vade (S. Tomé): tão próximo da vila, tão perto da desertificação
Desta amálgama resulta, como consequência perversa, a dificuldade em mobilizar as pessoas, em lançar inciativas. Mas a freguesia tem, também, os seus atractivos. Que, espera-se, possam atrair visitantes, dar-lhe movimento, de alguma forma alimentar-lhe a esperança de dias melhores.
Para alguns estudiosos, o topónimo Vade (Vaadi) será uma completa do verbo árabe “bada” que significa principiar, começar. Para outros, numa intervenção que nos parece mais legítima, até pela antiguidade da freguesia, o termo tem origem germânica. Certo é que a freguesia só passaria a chamar-se S. Tomé do Vade a partir do século XIII: o Censual do Bispo D. Pedro (1085 / 1089) refere-se-lhe, ainda, como “De Santa Marina de Paredes” - Santa Marinha de Paredes. No foral da Terra da Nóbrega, atribuido por D. Manuel a 14 de Outrubro de 1513, a freguesia pagava de contribuições 86 alqueires de pão meado, 7 alqueires de trigo, 4 varas de bragal, 14 alqueires de castanhas secas, 29 almudes de vinho, 4 alqueires de cevada, 3 galinhas, 1 frango e 20 ovos.
É um dia de Inverno, mas parece de Primavera. O sol vai já quente, a manhã brilha em pequenos restos de orvalho nos campos que ladeiam a estrada nacional que nos leva à Sede da Junta. Joaquim da Silva Lopes, de 45 anos, agora presidente, era, no executivo anterior, secretário da Junta de Freguesia. “Esse executivo encetou um trabalho digno de registo no que respeita a alguns melhoramentos”, diz-nos. “Posso citar, por exemplo, o alargamento e pavimentação do caminho do côto, que tinha, anteriormente, um acesso muito precário, bem como o alargamento do caminho que vai do Cruzeiro à Igreja”. A freguesia foi das primeiras do concelho a ter o saneamento concluído – abrange cerca de 90% da população. *** Chegado à presidência da Junta em 2005, Joaquim da Silva Lopes quis dar continuidade ao trabalho desenvolvido.
*** Da obra realizada no que já leva de mandato, Joaquim da Silva Lopes destaca o ramal eléctrico no lugar de Vila Meã (“Era, há longos anos, um anseio dos habitantes”.), e a vedação, em rede, dos muros do caminho do Côto, que representavam, dada a sua altitude, um perigo. “Para além disso, tenho a preocupação de estar permanentemente disponível para a população – a Junta está aberta, ao domingo, depois da missa, mas estou contactável a qualquer hora”.
*** Problema a preocupar vivamente Joaquim Lopes é o envelhecimento da população. “A população envelhece, a freguesia desertifica-se, há poucos jovens, a maior parte dos naturais não vive cá, claro que não é um problema só nosso, é geral, mas é uma situação que condicciona a nossa actividade. Há muitos emigrados, principalmente em França, só no Verão isto anima um pouco”. A escola – onde restavam cinco alunos – fechou há anos. Criado em 2005, o Grupo Cultural, Social, Recreativo e Desportivo tem, até agora, desenvolvido pouca actividade. “São problemas típicos das freguesias com pouca populaçãp”, diz, com tristeza, o Presidente da Junta. *** Saímos da sede. Vamos, a pé, à Igreja Paroquial. Fotografamos, de passagem, o Cruzeiro. Percorremos depois, longamente, a freguesia. Visitamos a obra que foi feita, os caminhos onde subsistem problemas. Passamos pela Casa da Torre da Pousada, propriedade do Conselheiro Sebastião da Costa Pereira, que entrevistámos, não há muito tempo, a propósito da sua napoleónica. “A ideia de construir uma fundação seria óptima”, refere Joaquim Lopes com entusiasmo. “Poderia atrair visitantes, estudiosos, colocar-nos no mapa, poderia constituir um forte motivo de interesse no que respeita ao turismo cultural”. Para o final estava reservada a maior supresa. O Jardim Japonês, propriedade do magistrado João Pestana, é uma autêntica maravilha. Um misto de bom gosto, criatividade, perseverança, dedicação. Tanto nos fascinou que ficou já marcada, para o nosso próximo número, uma reportagem. Porque é, também, nossa missão dar notícia da beleza. Lá voltaremos. Porque, para além das paisagens, das casas senhoriais há bons motivos para ir a S. Tomé. Tal como o Apóstolo, foi preciso ver para crer.
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