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Arquivo: Edição de 14-03-2008
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SECÇÃO: Reportagem |
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Grovelas: Freguesia necessita urgentemente de melhores acessosEstamos a chegar a Grovelas. Viemos pela estrada de Nogueira. A estrada é má. A paisagem, numa das zonas mais intocadas do concelho, magnífica.
Segundo alguns estudiosos, o topónimo Grovelas tem a sua origem na tribo pré-romana dos Gróvios, para outros, como o professor Doutro Joseph M. Piel, derivará da palavra gótica “groba” que significa cova, fojo, sepultura. Os romanos devem ter-se aqui dedicado à exploração aurífera – no lugar chamado “Tina de Ouro”, na serra do Oural, persistem restos de escavações de grande dimensão. A pesquisa de ouro daria, então, o nome à serra.
Também lhe fazem referência as inquirições Afonsinas de 1220 e 1258 e o Foral de Terra de Nóbrega, de 14 de Outubro de 1513 – pagava de contribuições 22 varas de bragal e um frango, cada fogo dos lugares de Soutelo e de Mamoa, uma galinha. *** Na sede da Junta, já nos esperam Daniel Fernandes Gonçalves (Presidente), de 33 anos, e António Jorge Silva Cardoso (Secretário), de 32 anos. A conversa vai começar pela questão dos acessos, a que voltaremos, repetidamente, ao longo da reportagem. Trata-se, para a Junta de Freguesia, de uma questão central.
Existe, já, da parte da Câmara Municipal, a indicação de que este acesso será beneficiado no decurso deste ano. “Temos insistido, em conjunto com os presidentes de Junta de Nogueira, Crasto, Ruivos e Boivães, na urgente necessidade desta obra”, diz-nos o Presidente de Junta. *** O interior da freguesia não está melhor. Passamos pelos diferentes lugares, verificamos as enormes difiduldades de acesso. Em Soutelo, na Mamoa, no acesso do Barral a Santa Ana. Percorremos demoradamente a freguesia. Os dois elementos da Junta chamam a atenção para os pormenores: aqui dois carros não se cruzam, ali dificilmente passa uma ambulância...
No alto de Santa Ana, onde a capela erigida em 1861 deu nome ao lugar, repousamos um momento. A chuva, empurrada pelo vento, fustiga-nos. Mas o panorama que os olhos bebem é dos mais surpreendentes do concelho. *** Regressados ao aconchego da sede da Junta, Daniel Gonçalves e António Jorge Cardoso dão-nos conta dos problemas. “Como viram há acessos muito maus. O caminho de Soutelo, iniciado pela Câmara anterior, ficou a meio. Não conseguimos entender. Ficou inacabado onde não devia. A parte que foi alargada ficou em terra, e com as chuvas, torna-se intransitável. Temos a promessa da Câmara de que será concluído este ano. É necessário melhorar o acesso interior na Mamoa, alargá-lo e pavimentá-lo. Como observaram, passa um carro com dificuldades. Já tentámos negociar o alargamento, mas são vários proprietários... O acesso do Barral à Santa Ana também deveria ser melhorado, até pela importância turística deste lugar. Só uma melhoria dos acessos permitirá outras condições para a construção e a fixação da população”.
A Junta não tem estado parada. Tem procudado negociar, caso a caso, com os proprietários, para conseguir beneficiar alguns caminhos. Está em construção o acesso ao lugar do Barral, “era um caminho velho, está a ser alargado e pavimentado com a ajuda da Cãmara”, conseguiram alargar o acesso à Mamoa, abriram o acesso ao lugar de Soutelo, com muros de suporte, onde havia casas isoladas, melhoraram os caminhos agrícolas e florestais, com grande benefício para a população. “No fundo, temos realizado obras de pequena dimensão praticamente em todos os lugares”, afirma Daniel Gonçalves.
O saneamento é outra das grandes preocupações, outro dos grandes anseios, para cuja necessidade a Junta tem insistido junta da Câmara. “Seria importante que se concretizasse antes de melhorar os acessos, por razões óbvias. Mas é uma obra que não está, ainda prevista”, diz-nos Daniel Gonçalves. É diferente a situação no que respeita ao abastecimento de água. Das primeiras freguesias a usufruir da ligação pública ao domícilio, Grovelas está, a este nível, bem servida.
A Escola da freguesia tem 14 alunos. Estava previsto encerrar, mas a pressão exercida pela Junta deu os seus efeitos e mantém-se aberta. “Não fazia sentido que os alunos fossem para pior. Quando abrir o Centro Escolas de Crasto, aí sim, desde que haja melhores condições, estamos de acordo”. A Junta dá apoio logístico nas refeições, fornece material, colabora nas festas de Natal, Páscoa e final de ano, cede as instalações quando necessário. *** Embora não seja das mais afectadas pela perda e envelhecimento da população, a freguesia tem pouca juventude. Talvez por isso, a actividade associativa é inexistente. “Mas temos um grande campeã, a Leonor Carneiro, cujo percurso é, para nós, motivo de orgulho”, dizem a uma voz os membros da Junta. Há muitos habitantes emigrados. A maior parte em França, alguns em Espanha e na Alemanha. As poucas empresas da construção civil não conseguem criar os postos de trabalho necessários. Alguns, trabalham na vila. “Era importante a criação de uma zona industrial no concelho. A localização é o menos importante, interessa é que se faça”, afirma Daniel Gonçalves. *** Já falámos das belezas naturais. Da Santa Ana. Do Oural. Do ribeiro da Fervença – a Junta tem, já, em construção um acesso às Lajes para que melhor se possa usufruir da paisagem e margens do ribeiro e pretende ali instalar uma piscina semi-natural. “O restaurante Sant’Ana tem trazido movimento à freguesia, é necessário, agora, potenciar e promover as nossas mais-valias nessa área. Temos o projecto de melhorar o espaço envolvente da Capela de Santa Ana”. *** A sede da Junta está aberta, para atendimento ao público, aos domingos de manhã. Estamos, agora, à porta, prontos para a despedida. Falamos, ainda, da “novela” em torno da construção da paragem de autocarros, obstaculizada por um habitante que se diz, proprietário do terreno, da heráldica e bandeira da freguesia, já aprovadas, da necessidade de estabelecer os limites de Grovelas que são, simultaneamente, os limites do concelho. “Quando entramos em Vila Verde, parece outro mundo, no que respeita a acessos. Também precísamos de mais contentores e de um ecoponto que permita a separação dos lixos. Mas, importante, importante, são os acessos. Nos últimos quinze anos quase não beneficiámos de investimento público”. Fique o lamento e o apelo do Presidente da Junta em final de reportagem.
Orago: S. João Evangelista Área: 340 ha População Residente: 277 habitantes Actividades económicas: Agricultura e pecuária Festas e Romarias: Santa Ana (último domingo de Julho) Património cultural e edificado: Igreja paroquial de Grovelas,Capela de Santa Ana e Cruzeiro. Artesanato: Tecelagem e bordados de linho Famílias clássicas residentes: 71 Alojamentos familiares: 97 Edifícios: 96
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