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Edição de 15-05-2009

Arquivo: Edição de 06-06-2008

SECÇÃO: Cultura

Fernão de Magalhães não nasceu em Sabrosa

A C de Magalhães Sant´Ana

Na estreia de uma série de 6 programas sobre Fernão de Magalhães, que a RTP 2 está a transmitir nas noites de Sábado, ainda houve quem mostrasse desconhecer que Sabrosa, como terra natal de Fernão de Magalhães, é uma a mistificação que resultou de uma tentativa de receber dinheiro do sucesso da primeira viagem de circum-navegação em que foram descobertas as Filipinas. Ora, sendo da GERAÇÃO DOS MAGALHÃES, Fernão de Magalhães, se não nasceu na Terra da Nóbrega, é indiscutível que a família era originária da freguesia de Magalhães, do lugar de Paço Vedro, local onde ainda estão os alicerces da torre de Magalhães que um Abreu, que até era o representante dos Magalhães, tal era o grande parentesco que com eles tinha, mandou apear; as pedras ainda se encontram nos muros dos jardins que rodeiam a casa actual. Portanto, é perfeitamente legítimo que gente de Ponte da Barca manifeste interesse por uma personagem que ocupa um lugar impar na Historia da Humanidade.

assassinar um juiz em Ponte da Barca. Carlos V recomendou-os a D. Manuel, porque “são parentes de criados e servidores nossos, por respeito dos quais desejamos que sejam atendidos”. Simão e Francisco eram filhos do 2º donatário da Terra da Nóbrega, Gil de Magalhães e de D. Isabel de Meneses, e irmãos de D. João de Magalhães que foi o 3º Donatário (Avelino de Jesus da Costa, Subsídios Para a História da Terra da Nóbrega e do Concelho de Ponte da Barca, Ponte da Barca, 1997). Mas isto não é suficiente para provar que Fernão de Magalhães nasceu em Ponte da Barca.

Quanto à genealogia do navegador e ao suposto nome do pai, Rui de Magalhães, apresentado pelo Visconde de Lagoa, corresponde à constante da documentação existente no Arquivo Geral das Índias onde também é nomeado Pedro Afonso de Magalhães como avô paterno. Esta filiação é baseada no processo intentado, em 1567, por Lourenço de Magalhães, o primeiro a habilitar-se à herança do navegador, 36 anos após a morte nas Filipinas. Ora, se há historiadores que aceitam Rui de Magalhães como nome do pai, porque motivo não aceitam o nome do avô e o trocam por outro?

Sobre este assunto, Manuel Abranches do Soveral, no Ensaio sobre a origem dos Magalhães (http:pwp.netcabo.pt/soveral./mas/Magalhães.htm) transcreve a genealogia de Fernão de Magalhães de acordo com os testemunhos que colhidos no processo intentado por Lourenço de Magalhães, em que uma das testemunhas é Manuel de Magalhães, donatário da Barca.

Curioso é que tendo Fernão de Magalhães embarcado na armada de D. Francisco de Almeida, não haja qualquer referência a um encontro com os primos António, Diogo e Pêro Barreto de Magalhães, estes sim naturais de Ponte da Barca. Será por mero acaso ou porque não se conheciam?

Coimbra, 12 de Maio de 2008.

“Do seu passado, apenas se sabe que nasceu no ano de 1480. E o lugar em que nasceu é muito discutido. Sabrosa, em Trás-os-Montes, indicado pelos cronistas não é em verdade sua terra natal, pois é um pseudo- testamento a que iam buscar esta afirmação, segundo as últimas indagações; mais verosímil, é ter Fernão de Magalhães nascido no Porto”.

É assim que Stefan Zweig, no livro sobre Fernão de Magalhães escrito nos anos 30 do século passado, se refere à naturalidade do navegador.

Queiroz Velloso, que procurou repor a verdade sobre este tema, no prefácio do livro Fernão de Magalhães a Vida e a Viagem ( Ed. Imperio, Lisboa, 1941), escreve: “ .....Já em sessão de 17 de Maio de 1934, eu lera na Academia das Ciências de Lisboa um trabalho, A naturalidade de Fernão de Magalhães. Certezas e conjecturas – depois inserto no Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro e nas Memorias da Academia, do qual, lá e aqui, saíram separatas – provando que a lenda de ser Magalhães natural de Sabrosa era inteiramente falsa, como irrefragavelmente falsos são os documentos em que ele se baseava. Quando, em 1881, apareceu a tradução portuguesa do livro de Barros Arana, Vida e viagens de Fernão de Magalhães, com os famosos testamentos, forjados com fins interesseiros, Oliveira Martins, acreditando na sua veracidade, escrevia estas curiosas palavras, que revelam apenas a superstição do factor étnico, então em plena moda: “Era transmontano, da província onde os homens, afirmativos e duros, não teem a meiguice celta do Minho, nem também a violência quase semita do alentejano”. De quantas invenções e fantasias não tem sido cúmplice a etnologia? Pois o duro e sombrio Magalhães, tão firme no pensamento como na acção, nascera, sem contestação possível, na província de Entre Douro e Minho: Porto ou Ribeira Lima; mas com maiores probabilidades na Ponte da Barca”.

No capítulo II – NATURALIDADE, Queiroz Velloso escreve: “Fernão de Magalhães nasceu à volta de 1480; mas a terra da sua naturalidade é ainda hoje um problema muito discutido. Foi Ferdinand Denis, tão conhecido entre nós pelo seu livro Portugal, que em 1860, no artigo Magellan, da Nouvelle Biographie Générale, pela primeira vez citou um testamento, de 1504 – cuja cópia lhe fora enviada de Portugal – em que Fernão de Magalhães instituía por únicos herdeiros sua irmã D. Tereza de Magalhães, seu cunhado João da Silva Teles, senhor da Casa da Pereira de Sabrosa, e o filho de ambos, seu sobrinho Luiz Teles da Silva; e para manter um legado de doze missas anuais, no altar do Senhor Jesus da igreja do Santo Salvador, de Sabrosa, vinculava a sua quinta de Souta, sita no mesmo têrmo, devendo, para perpétua memoria, este padroado leigo conservar-se nos varões primogénitos, ou fêmeas à falta deles, descendentes da referida irmã.

O historiador chileno, Diogo de Barros Arana, que por esse tempo viera à Europa, em busca de elementos para a história do Chile, conseguiu que Ferdinand Denis lhe facultasse aquela cópia; e como o documento lhe pareceu decisivo, no seu livro Vida y Viaje de don Fenando de Magallanes, publicado em 1864, apresentou o navegador como natural da pequena aldeia de Saborosa, província de Trás-os-Montes, no reino de Portugal. Arana leu apressadamente o testamento, pois não há, em todo ele, a mínima referência ou alusão à naturalidade do testador. A precipitação do escritor chileno revelara-se ainda na incerteza com que escreve o nome da suposta terra natal de Magalhães: aldeia de Saborosa, no texto; e Vila de Sabrosa, na primeira das notas finais, que ilustram a obra.

Na versão portuguesa do livro de Barros Arana – que apareceu em 1881, com o título Vida e Viagem de Fernão de Magalhães – o tradutor, Fernando de Magalhães Villas-Boas, acrescentou um Apêndice com as principais cláusulas de dois documentos existentes no arquivo da família Aragão, de Vila-Flor: o testamento de Magalhães, em tempo enviado a Ferdinand Denis; e outro testamento de Francisco da Silva Teles, filho de Luiz Teles da Silva e, portanto, sobrinho-neto de Magalhães, celebrado no Maranhão, Brasil em 1580. Estes documentos foram aproveitados por Guillemard, quem também coloca em Sabrosa o nascimento do célebre descobridor; e com raras excepções, os mais recentes biógrafos de Fernão de Magalhães, aceitando a autenticidade do testamento de 1504, assim como a interpretação que lhe deu Arana, atribuem-lhe a mesma naturalidade.”

“Pois devera ser absolutamente rejeitada. Os dois testamentos são falsos, expressamente forjados para mostrar que António Luiz Alvares Pereira, Senhor da Casa da Pereira em Sabrosa, descendia do insigne navegador, por linha colateral, na qualidade de oitavo neto e sucessor de D. Tereza, irmã de Fernão de Magalhães. António Luiz Alvares Pereira – que depois passou a assinar-se. António Luiz Alvares Pereira Coelho da Silva Castelo Branco de Magalhães – era casado em segundas núpcias, com D. Petronilha López de Aboin, sobrinha do celebrado D. Manuel Godoy, simultaneamente favorito de da rainha Maria Luiza e valido do rei Carlos IV. Residindo em Madrid, lembrou-se António Luiz Alvares Pereira de aproveitar a excepcional situação de tio de sua segunda esposa – que já o fizera cavaleiro de Santiago – para se apresentar como representante do descobridor das Filipinas; e requereu ao monarca espanhol não só a restauração das honras concedidas a Fernão de Magalhães, como uma avultada indemnização pela vintena das terras e ilhas descobertas, nos termos do contrato celebrado com Carlos I em 1518, que a morte o impedira de receber. O requerimento é de 1795. Remetido ao Conselho Real das Índias, era preciso instruí-lo com provas convincentes; e surgiram então os falsos testamentos de Belém e do Maranhão, cujas certidões são de 1796. Em 1798, deixou Godoy o cargo de primeiro ministro. Três anos depois, voltava ao poder, mais omnipotente ainda; mas o sobrinho morreu de desastre quando passeava a cavalo, antes de alcançar o bom despacho das suas ambiciosas pretensões.”

“Dos documentos que reuniu - transcrevo do meu trabalho, anteriormente citado, nasceu a lenda de ser Fernão de Magalhães natural de Sabrosa. Algum dos seus descendentes, não duvidando da autenticidade dos testamentos, forneceu ou mandou fornecer a Ferdinand Denis uma cópia do testamento de Belém. Barros Arana, interpretando-a superficialmente, tirou conclusões, que o próprio documento não continha; e o nascimento de Magalhães, naquela povoação transmontana, foi aceite, sem mais reflexão, pela maioria dos seus biógrafos”.

Lido com atenção o relato de Queiroz Vellozo permite compreender como surgiu e foi desmontada a mistificação de Sabrosa.

Mais recentemente, em 1998, o Dr. Manuel Villas-Boas na obra OS MAGALHÃES, Sete Séculos de Aventura ( Ed. Estampa ) sobre este tema, a propósito da genealogia do navegador, escreve a páginas 248: De uma maneira geral, os diversos casos em que pretensos parentes se habilitaram à herança do navegador lançam ainda mais confusão sobre a precisa localização genealógica de Fernão de Magalhães, na medida em que apresentam ligações familiares duvidosas e porventura extravagantes e citam testemunhos de parentes provavelmente suspeitos; a reserva com que estas pretensas ligações familiares devem ser encaradas resulta inevitavelmente do facto de que os esquemas genealógicos e os testemunhos apresentados terem sido elaborados e recolhidos muitos anos depois da morte do navegador, e tal reserva deve ser directamente proporcional aos altos proveitos que se esperava obter das tais habilitações. Assim, tudo o que está incluído nas inquirições judiciais relativas à herança do navegador deve ser considerado altamente suspeito, já sem falar das informações contidas no alegado testamento de Belém e na argumentação apresentada pelo testamento de António de Silva Teles, que o Visconde de Lagoa e, antes dele, D. José Manoel de Noronha, demonstraram serem falsas.

Por último, O Doutor José Manuel Garcia no livro A VIAGEM DE FERNÃO DE MAGALHÃES E OS PORTUGUESES ( Ed. Presença 2007) a páginas 20, sobre o local do nascimento de Fernão de Magalhães, depois de apresentar os motivos que o levam a defender a naturalidade portuense, escreve em nota de rodapé: Não consideramos necessário debater a possibilidade de Fernão de Magalhães ter nascido em Sabrosa (pois baseia-se num documento falso) ou numa povoação do Minho, na medida em que consideramos estar esta questão suficientemente esclarecida face à argumentação favorável a favor do Porto como local do evento em causa. Sobre este tema, cf. Visconde de Lagoa, Fernão de Magalhães: a Sua Vida e a Sua viagem, volume I, Lisboa, Seara Nova, 1938, pp. 97-104.

A questão da naturalidade portuense de Fernão de Magalhães, embora alicerçadas em fortes argumentos, não colhe aceitação geral. O historiador Veríssimo Serrão, por exemplo, inclina-se para a Ribeira Lima , tal como o fizeram António Baião, Queiroz Vellozo e Avelino de Jesus da Costa e é assim que vemos aparecer a Ponte da Barca a candidatar-se a terra natal do português mais conhecido no mundo depois de Santo António de Lisboa.

Certo é que Fernão de Magalhães pertencia à geração dos Magalhães da Barca, era filho de um Magalhães e de uma Sousa (de Arronches?) e tinha três irmãos: Diogo, que também embarcou nas naus da Índia, Duarte que lhe tratou de negócios em Ponte de Lima, e Isabel, que Fernão de Magalhães nomeia no testamento feito em Sevilha.

Certo é também que manteve relações amistosas com os parentes da Barca, como o demonstra uma carta que, a pedido de Fernão de Magalhães, Carlos V escreveu a D. Manuel, a 31 de Julho de 1518, a interceder por Simão Barreto de Magalhães e Francisco de Magalhães, refugiados em Castela, por terem sido acusados injustamente de

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Comentários dos nossos leitores
josé de souza magalhãessouzamagalhaes@hotmail.com
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o mais credivel é sem duvida o que diz o dr manuel vilas boas e que aqui não é reproduzido. Porque será? Terá a ver por se pretender que seja do ramo da familia Barca, ou seja do 1º casamento de gil afonso de magalhães e nunca do 2º casamento que deu a familia de tras os montes ?
 

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