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Arquivo: Edição de 04-07-2008
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SECÇÃO: Geral |
Notas da QuinzenaInsustentável “Que ninguém tenha dúvidas para que vai servir a nova Associação: agora, que provaram o poder inebriante de conseguir fazer ajoelhar o poder democrático em três dias e de terem estado à beira de ver um país inteiro a gritar com o Governo “dêem-lhes tudo o que eles querem antes que a vida se torne insustentável para todos!”, é certo, certíssimo, que os ditos ‘rebeldes’ não se vão ficar por aqui. Eles perceberam que, nas sociedades modernas, há três coisas contra as quais um Estado democrático está basicamente indefeso: o terrorismo, a grande especulação financeira de um capitalismo global sem ética alguma e os camionistas”. Miguel Sousa Tavares, Expresso, 2008.06.21
O suave milagre (I) “Em “L’enfant”, de Marguerite Duras, uma criança (de 40 anos…) recusa-se a ir à escola porque na escola só lhe ensinam coisas que não sabe. Alguém do ME dever ter visto o filme e, na sua cabeça, como na fértil cabeça do Professor Pardal, luziu uma lampadazinha: porque não fazer umas provas de aferição “simplex” e perguntar aos alunos só o que eles sabem? Imagino. Manuel A. Pina, JN, 2008-06-23
O suave milagre (II) “Mas não houve sombra de facilitismo. Foi mesmo milagre. A prova de aferição do 6.º ano incluiria, por exemplo, uma questão praticamente igual à da do 1.º Ciclo (ex-4.ª classe) do ano passado. Nada menos verdadeiro. Na prova do 1.º Ciclo de 2007, a questão era sobre a turma do Nuno; este ano foi sobre a turma do Ricardo. No ano passado, o pictograma era feito com “smiles”, este ano foi com bolinhas”. Idem, JN, 2008.06.24 Discutam o País “Pode o PS apontar-lhe muitos erros no passado. Por cada erro, haverá sempre muitos outros que dirão que ela fez o que tinha de ser feito. Pelo que, concluo eu, o melhor mesmo é que Ferreira Leite e José Sócrates comecem o mais cedo possível a discutir o país em vez de se discutirem a si próprios. Falem-nos do futuro do país, apontem-nos caminhos, façam-nos crer que vale a pena acreditar na política e nos políticos.” Director JN, 2008.06.24
Meu querido Benfica, porque não te calas? “Eu sou do Benfica, eu adoro o Benfica, mas já não tenho mais pachorra para a velha guerra com o Porto, que dura há 20 anos. Já não tenho pachorra para as ironias de Pinto da Costa. Já não tenho pachorra para as indignações de Luís Filipe Vieira. Meus amigos: eu gosto é de bola. Se o Porto roubou, que seja punido. Mas a primeira preocupação do Benfica tem de ser as vitórias que realmente interessam - aquelas que se conseguem em 90 minutos, em cima de um relvado. Portanto, meu querido Benfica, é como se costuma dizer nas peladinhas entre amigos: cala-te e joga.” João Miguel Tavares, DN, 2008.06.24
A alegria dos cemitérios “O rosto da dr.ª Manuela Ferreira Leite, esse, permanecia o que tem sido: um enigma íntimo. Aliás, a substância do seu discurso (que Pacheco Pereira aplaudiu, frenético, com transporte e unção) foi o gélido resultado de uma assustadora ausência de ideias. Qualquer módica alegria de grupo fica ensombrada pelo mal-estar provocado por esta inexistência de empatia. A senhora nada disse de novo, nada acrescentou ao que já se sabia. Como nos comunicou António José Teixeira, naquele registo fúnebre que se lhe reconhece, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite é irmã gémea do Dr. Cavaco. Quer dizer: cria uma atmosfera de frigorífico.” Baptista Bastos, DN, 2008.06.25
Heróis nacionais “A Lusa deu-se ao trabalho de contar os deputados que se encontravam quarta-feira, pelas 17.20, no plenário da AR, onde se debatia a Conta Geral do Estado. Dos 230 eleitos, estavam presentes 42. Os restantes 188 andavam, como Santana Lopes, “por aí”, talvez no bar a beber um copo e a comentar as incidências da contratação de Cristian Rodriguez pelo F. C. do Porto, talvez a dormitar em alguma comissão, talvez, quem sabe? já no comboio ou no avião a caminho de um mais que merecido fim-de-semana. Discutiam-se, no plenário, insignificâncias como a questão do défice, o desenvolvimento, o empobrecimento dos portugueses.” JN, 2008.06.27 |